segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O dia que pensei ser o fim do mundo mas não era nada disso

No sábado às sete da manhã
um repentino e terrível vendaval balançava as janelas de lata
assobiando furioso.
Pelas janelas eu via as árvores dançando loucamente
como se não houvesse amanhã
serpenteando escatologicamente.
Um alarme disparava ao longe
uma voz misteriosa, nem tão longe, começava a discursar na escuridão.
Seriam os sete anjos
tocando as sete trombetas
arrebatando os homens e mulheres nus
anunciando o fim-de-todas-as-coisas?
Aquietei-me, enfim,
quando bêbado de sono
e com fome de sonho,
descobri na janela:
eis o mistério da fé!
silencia-se o alarme
e a voz do vendedor, agora perto,
anuncia seu amendoim torrado.
mais sete minutinhos!
Deitei,
dormi,
em paz.




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