Na mesa de seus pensamentos dormitava o poeta,
quando despertado foi pelo assobio da menina
movimentando-se para sair de uma poça d'água.
Quão pouca água há nesse buraco! Por si mesma sairia sem demora!
Ele isso apenas pensou, pois inexplicavelmente já estava ao seu lado.
E a poça era como redemoinho
querendo aos poucos tragá-la para o fundo.
De cima a menina via no limbo
macieiras rebentando em frutos
Indizível possibilidade,
mas ilusão!
Ora, menina!
ao seu redor há macieiras, pereiras e pessegueiros,
há incontáveis sonhos com sabor
de pão de mel, sorvete de pistache, chiclé de canela.
até que saia do limbo.
e quando o fizer,
podemos correr pela aurora
de início trôpegos, sim!
Mas não de todo vacilantes...
E visitar palácios e luas
respirar o aroma silvestre
num céu todo cor de abóbora.

